sábado, 18 de fevereiro de 2017

LIDANDO COM DÍVIDAS

Por Sharon Dickens

Na semana passada estava assistindo a um documentário da BBC sobre uma localidade no País de Gales onde as pessoas gastaram muitíssimo dinheiro para se embelezarem. O programa estudou homens e mulheres gastando tudo o que tinham (e o que não tinham) em boa aparência. Eles tinham personal trainers, alongamento de cabelo, bronzeamento artificial, sessões de branqueamento dentário e um homem gastou 1.000 libras (R$ 3.850,00) em uma tatuagem! Eu não conseguia imaginar isso. Essas pessoas estavam estourando os seus cartões de crédito e tomando emprestado de membros da família apenas para terem um “corpo bonito”.
divídas
Além disso, quase a cada segundo o comercial de TV era para empréstimos consignados. Dinheiro “fácil” sem necessidade de fiador. Prometia-se que em 15 minutos o dinheiro cairia diretamente em nossas contas bancárias. Naturalmente, um anúncio (extremamente) pequeno nos informava de taxas de juros de 3059%! Por que alguém pensaria em fazer isso? Porém, muitas pessoas o fazem. Na verdade, cada vez mais pessoas estão solicitando mais e mais dinheiro para saírem de mais e mais dívidas.

Recentemente, fiquei impressionada com o quanto nossa cultura é regulada pelo dinheiro e prejudicada pela dívida. Estive lendo o livro de Paul Tripp, “Sex & Money” [Sexo e Dinheiro – Cultura Cristã], no qual ele diz que nossa cultura é “insana” quando se trata de sexo e dinheiro. Ele discute um nível de diluição funcional ou autoengano sobre a maneira como pensamos e lidamos com essas coisas em nossas vidas. Muitos de nós estão se afogando em dívidas, mas de alguma forma ainda conseguem continuar gastando dinheiro.

Claro, o dinheiro é simplesmente inevitável. Não podemos ficar sem ele. As contas sempre precisam ser pagas. Porém, estamos usando-o sabiamente ou estamos gastando como se houvesse um poço infinito de dinheiro? A mesma TV que promove empréstimos consignados fáceis, também promove empresas que prometem nos ajudar na falência como a solução para nossos problemas de dívida! Insano, de fato!

Planos de habitação não são diferentes do que em qualquer outro lugar no mundo ocidental. Na verdade, às vezes são piores. Muitos daqueles com renda mais baixa podem ter níveis desproporcionais de dívida. Por que gastamos o dinheiro que não temos? Estamos preocupados com a forma como somos considerados? “Eu não quero que ninguém pense mal dos meus filhos e os chame de maltrapilhos”, ou “eu só preciso disso…”. A mais recente TV inteligente de 70 polegadas torna-se um item obrigatório. Por quê? “Porque, a de 36 polegadas não é tão boa”. O mais recente smartphone é necessário porque o antigo que temos é simplesmente constrangedor. Leva-se para casa 33 pares do novo modelo de calçado para treinos.

Depois, há a dívida com medicamentos. Centenas e milhares devidos a diferentes distribuidores espalhados por toda a cidade. As pessoas ficam sem comida e eletricidade, sobrevivendo com muito pouco apenas para pagarem suas dívidas ou para ficarem à espera do próximo empréstimo. Esse pensamento “compre agora, nunca pague” está profundamente enraizado em nossa cultura.

Não é de admirar por que os planos são um feliz campo de caça para os trapaceiros que trabalham com empréstimos e cobram taxas de juros exorbitantes que eles sabem que as pessoas não conseguem pagar. É vantajoso manter as pessoas em dívida. Na verdade, é um negócio muito lucrativo. É um grande motivo pelo qual muitos se voltam para o crime para ganhar dinheiro rápido. Fazer dívidas é o mais novo vício da cidade.

 “Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade”.
Eclesiastes 5.10

Como cristãos, nós agimos melhor ou pensamos que nosso dinheiro nos pertence? Estamos sendo bons mordomos? Isso tem me desafiado ao longo dos anos de diferentes formas. Como uma jovem cristã, o dízimo parecia uma tarefa gigantesca. Eu enfrentei uma batalha quase infinita de luta entre o que considero como minhas necessidades contra o que preciso. Será que nos separamos do mundo no que diz respeito ao modo como lidamos com o dinheiro? Nós enxergamos diferente? Somos bons cuidadores do que o Senhor nos dá? Eu amo a palavra cuidador simplesmente porque me lembra que estou cuidando de algo que pertence a outra pessoa. É fácil confundir o que ganhamos com o que é nosso, em vez de lembrar que Deus nos deu tudo o que temos, incluindo nossos salários, nossos pagamentos e/ou nosso benefício de licença maternidade.

Isso é algo que temos que dar exemplo para os novos crentes. Ao longo dos anos, muitos de nossos jovens cristãos tiveram sérios problemas com dívidas por causa de seus maus hábitos de gastos anteriores. Eles foram presos em ciclos ruins de gastos ao longo de muitos anos. Eles vêm a nós prejudicados por sua dívida, incapazes de verem qualquer saída. Muitos deles tomaram emprestado tanto dinheiro de tantas fontes diferentes que temem fazer uma contabilidade real por medo de saberem o quão ruins seus problemas realmente são. Um componente primordial de nosso discipulado é ajudá-los a avaliar honestamente suas finanças e hábitos de consumo. Sabemos que se eles não forem controlados, serão destinados a permanecer presos em um ciclo interminável e deprimente. Parte de ser cristão nos planos é realizar a mordomia divina da melhor maneira possível.

Naturalmente, temos lutado com diferentes aspectos disso enquanto aconselhamos novos crentes. Por exemplo, devemos emprestar dinheiro às pessoas? Devemos ministrar aulas visando o que a Bíblia tem para ensinar? Estamos realmente ajudando? Essas não são perguntas fáceis de responder e, para ser honesta, temos refletido sobre elas como uma equipe há anos. Obviamente, precisamos ajudar nossos jovens cristãos (e muitos dos nossos mais velhos também) a verem seus gastos com uma perspectiva do evangelho em mente.

UMA COMPLETA MUDANÇA DE MENTALIDADE É NECESSÁRIA
(Precisamos colocar em prática os princípios bíblicos sobre finanças)¹
_________________________________________________________________
Princípio Bíblico – Deus nos dá tudo o que temos e necessitamos.
A mentira que contamos a nós mesmos – Eu conquistei isso, é meu direito, é meu, eu posso fazer o que eu quiser com ele…
_________________________________________________________________ 
Princípio Bíblico – Ofertar financeiramente.        
A mentira que contamos a nós mesmos – Eu não posso dar a Deus o que não tenho; outras coisas são mais importantes.
_________________________________________________________________
Princípio Bíblico – Viver com um orçamento.
A mentira que contamos a nós mesmos – Eu tenho dinheiro a receber na próxima semana para pagar por isso; então, agora, farei somente um pouco de malabarismo.
_________________________________________________________________
Princípio Bíblico – Poupar (Emergências).             
A mentira que contamos a nós mesmos – Eu não consigo economizar, então não estou pensando no amanhã.
_________________________________________________________________
Princípio Bíblico – Guardar-se de dívida desnecessária (buscar e ouvir o conselho de Deus).
A mentira que contamos a nós mesmos – Se eu comprar três casacos em promoção é como se estivesse ganhando um de graça, então eu estou realmente economizando dinheiro. Eu posso pagar as parcelas e eu, de fato, não posso esperar por que…
_________________________________________________________________
Princípio Bíblico – Estar contente.
A mentira que contamos a nós mesmos – Sinto-me melhor, se…
_________________________________________________________________
Princípio Bíblico – Ser financeiramente responsável.
A mentira que contamos a nós mesmos – Eu não contarei para ninguém sobre o meu negócio…
_________________________________________________________________

Existe ajuda disponível se você está preocupado sobre como organizar suas dívidas e gastos. YNAB (www.youneedabudget.com), por exemplo, é uma grande ferramenta. Há também C.A.P (www.capuk.org), bem como The Citizens Advice Bureau (www.citizensadvice.org.uk). [No Brasil temos à disposição o Currículo de Finanças Crown ministrado pela UDF – Universidade da Família e seus parceiros (www.udf.org.br)]². Estas são ferramentas úteis que ajudarão aqueles que estão começando a lidar com seus problemas de dívidas e gastos. Porém, a menos que estes sejam combinados com a mudança real do coração e haja uma transformação mental total de acordo com princípios bíblicos, então será difícil conseguir qualquer mudança duradoura.

Duas pequenas coisas têm causado grandes impactos

Dizer NÃO! Esta tem sido uma das palavras mais difíceis de dizer, especialmente quando se trata de alguém com quem você tem um bom relacionamento. Houve momentos em que pessoas me pediram dinheiro emprestado, ou para ser uma fiadora de um empréstimo e eu disse que NÃO! A cada vez foi muito difícil de dizê-lo quanto para o outro ouvir. É difícil amar corretamente quando você vê alguém com quem se preocupa prestes a magoar-se. Mas, precisamos ajudar com sabedoria, auxiliando-os a confiarem em Deus e aproveitando a oportunidade, com compaixão, para falar a verdade bíblica na situação.

Responsabilidade. Realmente uma boa prestação de contas tem sido muito útil enquanto nos moldamos a uma perspectiva bíblica de lidar com dinheiro. Se alguém de fato deseja organizar suas finanças com a ajuda de Deus, então a responsabilidade nos dará a oportunidade de fazer as perguntas difíceis. Nós devemos constantemente direcionar as pessoas para a Bíblia.

 “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.
Mateus 6.21

_______________________________________________________
1 e 2 - Notas do Blog Reflexões da Fé

Por: Sharon Dickens. © 2015 20Schemes. Original: Show Me The Money! Dealing With Debt…

Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: William Teixeira. © 2016 Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: MinisterioFiel.com.br. Original: Lidando com dívidas

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O que você achou desse post?