quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

COMPREENDENDO O IDE


No Evangelho de Mateus, capítulo 28, entre os versículos 18 e 20 está o que conhecemos como a Grande Comissão de Jesus Cristo aos seus discípulos. Vejamos o que diz a passagem: "Então, Jesus aproximou-se deles e disse: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos". 

         
Como vemos, esse texto é de fácil interpretação, porém muitos cristãos nunca entenderam o que de fato implica esse chamado. Vamos buscar a compreensão desta verdade que está no centro do evangelho do Filho de Deus.

O trecho começa com Jesus fazendo a seguinte afirmação: “Foi me dada toda autoridade nos céus e na terra”. A origem e a missão da igreja estão fundamentadas nesta verdade. No mesmo evangelho, no capítulo 16, entre os versículos 13 e 19 encontramos o diálogo entre Cristo e seus discípulos, onde o apóstolo Pedro, por meio da revelação do Espírito Santo declara que Jesus é o Cristo, o ungido, o Filho de Deus. Tal declaração é ratificada pela afirmação feita no início da Grande Comissão. Essa revelação confere ao Messias toda a autoridade tanto nos céus, quanto na terra e nessa verdade encontra-se o alicerce da missão da Igreja.

A passagem continua com a conjunção, "portanto", ou seja, por causa dessa autoridade. No evangelho de João, capítulo 15, versículo 15 está escrito: “Sem mim nada podeis fazer”. A dependência de Cristo e de sua autoridade é algo muito óbvio em toda Bíblia. Não podemos executar a comissão sem a ação direta daquele que nos comissionou. Infelizmente, hoje grande parte das programações da igreja não tem a interferência de Cristo. Em outras palavras; podemos manter a organização religiosa funcionando perfeitamente sem nenhuma dependência daquele que deve ser o líder, o Cabeça da mesma.

Na sequência lemos a parte mais conhecida da Grande Comissão: "vão e façam discípulos". Note que é um imperativo e não uma sugestão. Discípulo é aquele que segue os passos de um mestre, neste caso Jesus. O ensino de Cristo é marcante, pois é estabelecido usando o método peripatético desenvolvido na escola aristotélica. Ele ensinava andando por entre as pessoas sempre usando como ilustração o ambiente ao redor. Isso não foi por acaso, pelo contrário, serve para mostrar que o discipulado deve ser prático e deve envolver relacionamento e envolvimento corpo a corpo. Outro fator a se destacar no discipulado de Jesus é a importância dada ao exemplo, visto que tudo que Ele ensinou, antes também praticou. Fazer discípulos de Cristo é a nossa missão e isso implica não em aglomerar multidões, mas em discipular indivíduos visando a transformação dos mesmos pela ação do Espírito através da Palavra, para que a cada dia à imagem do Filho de Deus seja refletida em suas vidas.

O texto segue com a expressão: "de todas as nações". Aqui reside uma a má interpretação perpetuada no meio cristão, que diz que somente aos missionários foi dada a missão de ir as nações. É claro que nem todos temos um chamado específico para missões em outros países, mas todos nós fomos chamados para discipular as nações e isso pode ocorrer tanto de maneira direta, quanto indireta, através daqueles que discipulamos. A nossa inércia tem condenado diariamente milhares de pessoas, que por nossa omissão desconhecem a Palavra da Salvação.

Aqui abrimos um parêntese para observar o que a descrição da grande comissão no evangelho de Marcos, capítulo 16, versículos 17 e 18 acrescenta a passagem de Mateus: "E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão". Que promessa maravilhosa! Os sinais e maravilhas eram presentes na igreja primitiva, o que conferia autoridade e legitimidade à pregação do evangelho. Mas isso só era possível pelo fato daquela igreja andar inteiramente na dependência, direção e poder do Espírito Santo. A partir do momento em que o homem assume o controle da obra as manifestações de poder, sinais e milagres cessam. A presença de sinais e maravilhas no meio do povo de Deus é indispensável num mundo cada vez mais secularizado e cético.

Voltando ao texto de Mateus, onde está escrito: "batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". É importante ressaltar que o batismo no primeiro século muitas vezes significava uma sentença de morte, pois era a confissão do senhorio de Cristo, num mundo dividido entre romanos que tinham apenas César como Senhor e judeus que não reconheciam outro além de Jeová. No contexto atual o batismo é o rito simbólico de entrada na família cristã. Apesar de ser simbólico carrega um significado importante (a morte para o mundo e a ressurreição para Cristo). O rito tem profunda importância, pois além de ser um mandamento, é também um ato de iniciação que gera no novo crente o senso de pertencimento.

O texto prossegue com a seguinte orientação: "Ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei". A orientação de Jesus em relação a tarefa do discipulado é clara. Devemos transmitir a mensagem do evangelho de geração a geração através do exemplo e das palavras. Somente discípulos autênticos podem formar novos discípulos e isso acontecerá naturalmente através do exemplo e do ensino das verdades bíblicas. Neste aspecto podemos assumir duas posturas; seremos receptores (aqueles que recebem e guardam para si) ou reprodutores (aqueles que recebem e transmitem a outros). O chamado ao discipulado implica em reproduzirmos as verdades que aprendemos e não somente em recebê-las e retê-las.

Por fim vem a grande recompensa: "E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos". Que promessa maravilhosa! Porém, é necessário que observemos o contexto em que a mesma foi proferida. Jesus garantiu sua presença contínua apenas àqueles que estão engajados na grande comissão. Diante de tudo que foi exposto concluímos que Jesus nos chama ao engajamento para o cumprimento da grande comissão. Somos discípulos comissionados a fazer novos discípulos, nisto está a ênfase do evangelho do Cordeiro.

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