sexta-feira, 29 de março de 2013

Resgatando a Páscoa Judaico-Cristã


          Não é meu objetivo traçar um estudo teológico nas próximas linhas, mas simplesmente discorrer sobre a visão bíblica a respeito do sentido da páscoa, tanto no prisma judaico, quanto no cristão. É do conhecimento de todos que o estabelecimento dessa festividade se deu no êxodo do povo de Israel, quando lutavam pela liberdade no Egito. Naquela ocasião pelo advento da última praga; a morte dos primogênitos. Deus ordenou a Moisés que orientasse o povo a respeito do significado de tudo aquilo que estava acontecendo, desde a morte do cordeiro até a saída do povo em direção ao deserto, passando pelo livramento dado aos primogênitos dos judeus. Aquele ritual deveria ser lembrado por todas as gerações perpetuamente.
          Para os hebreus a Páscoa é uma lembrança do livramento do Senhor na noite do Êxodo e deveria ser comemorada em Abibe, primeiro mês do calendário judaico. Naquele mês, do 14º ao 21º dia, o povo de Israel comeria pães asmos e ervas amargas; se absteria de comidas com fermento e não trabalharia, exceto na preparação dos alimentos. Além disso, tanto no primeiro quanto no último dia haveria santa convocação.
          Para os cristãos essa festa tem o mesmo significado, mas com um prisma diferente, pois representa o sacrifício do Cordeiro de Deus na cruz do calvário, tendo como objetivo a libertação da humanidade do cativeiro do pecado. O que mais me chama atenção nesses dois ângulos é o significado dos símbolos usados na cerimônia, pois temos:
  1. O cordeiro Pascal - Que representa a Cristo, que foi sacrificado para que todos nós fossemos libertos da escravidão do pecado.
  2. O primeiro mês do ano - A salvação para o cristão sempre deve ter a primícia sobre as demais coisas.
  3. A santa convocação - Para o cristão significa a lembrança constante do preço que foi pago pela sua libertação. Devemos não somente lembrar solenemente, mas cuidar e valorizar diariamente o precioso presente que nos foi dado por Deus.
  4. O jejum do fermento - Essa alusão é interessante, pois o fermento simboliza ilusão, falsidade, engano e mentira. O cristão verdadeiro não se deixa mais iludir pelos encantos desse mundo.
  5. Os pães asmos e as ervas amargas - Simbolizam as dificuldades da caminhada cristã. O próprio Jesus nos advertiu sobre o preço que o ser humano paga por escolher andar ao seu lado, mas por outro lado, se comparamos aos benefícios que recebemos, o custo será irrelevante.
  6. Os sete dias sem trabalho - Representam o período que todo aquele que é cristão deve separar para dedicar-se a Deus. Quando vemos à alusão divina ao Sabbath judaico (dia de descanso) devemos compreender que o Senhor não precisava descansar na criação, mas o fez para que o homem compreendesse que é necessário separar um dia na semana para dedicar-se ao Criador.
          Assim vemos que a páscoa judaica é a sombra da páscoa cristã e que de maneira alguma perdeu seu significado e importância, pelo contrário, em Cristo o Pessach encontrou o seu verdadeiro sentido. Antes de terminar gostaria de tecer um comentário sobre a descaracterização dessa festa tão importante, pois na sociedade atual o sentido verdadeiro da páscoa se esvaiu dando vazão para símbolos comerciais que em nada representam o que Jesus fez por nós.




quarta-feira, 13 de março de 2013

O Bom Pastor


          Certa vez Jesus definiu-se como o bom pastor, ressaltando que por isso daria a vida por suas ovelhas.  Meditando no Salmo 23 podemos destacar as virtudes de um pastor segundo o coração de Deus. Segundo a Bíblia o sacerdote que cumpre com fidelidade ao seu chamado precisa:

1. Amar o rebanho do Senhor - No evangelho de João, capítulo 21, versículos 15 a 17, Jesus por três vezes pergunta a Pedro se ele o amava e todas as vezes o apóstolo repetiu que sim, sendo sempre   interpelado por Cristo a apascentar o seu rebanho. A maior manifestação de amor a Cristo que um pastor pode dar é apascentar as ovelhas do Bom Pastor.

2. Guiar o rebanho do Senhor - O escritor americano Eugene Peterson, em seu livro O Pastor Segundo o Coração de Deus ressalta que a função mais importante de um guia espiritual é ouvir a direção de Deus e transmiti-la ao seu povo. Vemos que Moisés, o maior líder de todos os tempos depois de Cristo, orientou a nação de Israel pela peregrinação no deserto sempre buscando a orientação divina. Só Deus pode direcionar o Seu rebanho para o lugar certo.

3. Interceder pelo rebanho do Senhor -  Assim como no item anterior, podemos usar o exemplo de Moisés, que de maneira eficaz representou o seu povo diante de Deus. Uma passagem que ilustra bem isso está em Êxodo 32:32. Naquela ocasião ele pede ao Senhor para perdoar e não destruir ao povo, do contrário que o seu nome fosse riscado do Livro da Vida. Tenho certeza que Deus se alegrou tremendamente com o líder que estava a frente do Seu povo.

4. Alimentar adequadamente o rebanho do Senhor - O Salmo 23 destaca que o pastor leva as suas ovelhas aos pastos verdejantes. Vivemos na geração do Fast food (comida rápida), onde tudo tem que ser para ontem. Infelizmente muitos líderes espirituais tem alimentado suas congregações com "comidas" requentadas, enlatadas e até vencidas. Em 2ª Timóteo 2:15 Paulo admoesta o jovem pastor a manejar bem a Palavra de Deus, ou seja, o sacerdote precisa dedicar tempo para estudar a Bíblia e outros livros que lhe auxiliem a  fornecer um alimento fresco e nutritivo para suas igrejas.

5. Levar refrigério ao rebanho do Senhor - Ainda no Salmo 23, lemos que o bom pastor leva seu rebanho as águas tranquilas e limpas.  No livro de Ezequiel, capítulo 47 encontramos a descrição da visão que o profeta teve das águas que saiam de debaixo do altar, inundavam o templo do Senhor e saneavam todos os lugares por onde passavam. Aquilo é uma ilustração da ação do Espírito Santo na vida da igreja. Portanto uma função primordial do pastor é conduzir o seu povo a presença de Deus, para que assim tenham o refrigério que precisam.

6. Auxiliar o rebanho do Senhor nas adversidades da vida - Continuamos no Salmo 23, onde vemos o bom pastor acompanhar suas ovelhas até mesmo no vale da sombra da morte. Um pastor segundo o coração de Deus sempre está a disposição de seus discípulos para orientar, aconselhar, consolar, apascentar, etc.

7. Disciplinar o rebanho do Senhor - No mesmo Salmo 23 encontramos o bom pastor conduzindo seu rebanho com o cajado e com o bordão, ambos instrumentos de disciplina. Como líderes espirituais precisamos saber a dose certa da correção, pois Deus não deseja ver seus filhos conduzidos por um ditador e nem por um líder permissivo. Devemos sempre disciplinar com amor e mansidão, visando sempre a restauração do cristão. "Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem". Provérbios. 3:12.

          Somente os pastores que reúnem estas características estão aptos para conduzirem o rebanho do Senhor para a terra prometida. A Palavra de Deus diz em 1ª Timóteo. 3: 1 que excelente obra almeja aquele que quer servir ao Senhor, também diz em Lucas. 12: 48 que a quem muito é dado, muito lhe será cobrado. Ser pastor é mais que ser empregado de uma congregação, é ser escolhido pelo próprio Deus para conduzir o rebanho que seu filho Jesus conquistou na cruz até a terra prometida.


terça-feira, 5 de março de 2013

Prioridade Seis: Vida Social


          Concluindo a série Estabelecendo Prioridades, gostaria de tratar sobre vida social, tal assunto parece menos relevante em relação as outras áreas de nossa vida, mas não é! A vida social é tão importante quanto a vida espiritual, conjugal, familiar, ministerial e profissional. Através dos relacionamentos sociais nos expomos ao mundo e a sociedade em geral. Através dessa exposição podemos ou não exalar o bom perfume de Cristo.
          Existe um jargão popular que diz: "É fácil ser cristão dentro da Igreja". Realmente é bem mais simples transmitir uma imagem positiva dentro de um ambiente que me inspira para isso, porém, assim como um ex-dependente químico só colocará sua recuperação à prova fora dos portões do centro de recuperação, um cristão só porá seu testemunho em evidência fora das paredes da congregação. O próprio Cristo em paráfrase falou sobre a necessidade do sal estar fora do saleiro.
          Observe e veja como Deus lhe dá oportunidades diárias para testemunhar do Seu amor para com pessoas que ainda não O conhecem. Por isso é de fundamental importância que observemos o exemplo que estamos transmitindo através de nossas palavras e ações, pois assim como podemos abrir as portas do céu com o nosso estilo de vida cristão, podemos fechá-las com a falta dele. É de pouca valia tentar pôr em ordem as outras áreas de nossa vida e não transmitirmos a mensagem do evangelho através de nossa rotina cotidiana. Decida ser uma vitrine de Cristo e deixe o Seu bom perfume envolver a vidas de todos aqueles que Deus põe em seu caminho.