quinta-feira, 24 de maio de 2012

PECANDO PELA OMISSÃO

É senso comum entre os evangélicos a distinção entre pecados. Defino essa classificação como "escala do pecado", que vai desde de um "pecadinho" como uma simples mentirinha até os "pecadões" como roubar e matar por exemplo. Então pergunto: Será que Deus considera esse parâmetro? Em nenhum momento nas escrituras sagradas encontramos respaldo para tal conceito, pois, pecado é pecado e o que muda são as consequências desses atos. Toda transgressão afasta o homem de Deus e qualquer desobediência aos seus princípios é considerada pecado, sem distinção ou hierarquia.

Podemos então concluir que todo pecado, independentemente de suas consequências, é um agravo ao Pai. Mas só pecamos quando agimos mal? Definitivamente não! Pois, muitas vezes as transgressões mais danosas não nascem de uma ação, mas de uma omissão. O ato de furtar-se de uma atitude necessária pode acarretar terríveis prejuízos em praticamente todas as áreas da vida. O ativista e pastor batista Martin Luther King Jr certa vez disse: "O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons".

Encontramos na Palavra de Deus, o exemplo de servos que venceram a tentação da omissão, como Moisés diante do chamado do Senhor para libertar Israel do cativeiro egípcio (Êxodo 4) e também daqueles que sucumbiram perante a falta de iniciativa, como o sacerdote Eli e a leniência com seus filhos rebeldes (1º Samuel 2). Nos referidos casos notamos respectivamente os efeitos benéfico e maléfico das decisões. Esquivar-se de uma missão, função ou obrigação acarreta os mais diversos malefícios, que vão desde problemas na família, passando pelas mazelas que acometem comunidades inteiras e por que não lembrar da procrastinação da igreja perante a missão confiada por Cristo?

No ambiente familiar a degradação dos valores da família é a face mais cruel da omissão. Quando homem e mulher fogem de suas responsabilidades como pai e mãe, marido e esposa, os filhos ficam sem o referencial necessário para a construção do caráter e consequentemente reproduzirão os erros dos pais nas famílias que um dia formarão, criando assim o "ciclo da degradação da família". Por toda a Bíblia encontramos o padrão divino para as funções de cada ente familiar, como por exemplo na carta aos Efésios, capítulos 5 e 6, onde temos o detalhamento dessas funções. A obediência a tais princípios é caminho seguro para a construção de um lar estruturado, que além de propiciar a todos um ambiente saudável de alegria e paz, fornecerá aos filhos as condições necessárias para a formação de suas futuras famílias.  

Hoje em nossa nação assistimos atônitos ao festival de escândalos de corrupção que assolam governos, instituições e empresas. Não tenho dúvidas que tudo isso é resultado de muita omissão. No livro dos Juízes, capítulo 9, versículos 7 a 15 está narrada uma história que ilustra o quanto esse comportamento pode prejudicar toda uma sociedade (Confira o post sobre o assunto: A Parábola de Jotão). Infelizmente, como cidadãos e cristãos "espiritualizamos", ou melhor, negligenciamos coisas que deveriam ser encaradas com o máximo de seriedade e de responsabilidade. Lamentavelmente, nos ausentamos de discussões que mudam a vida de milhares de pessoas assumindo uma postura inerte e até insensível em vários momentos relevantes da história.

Em relação a falta de ação dos evangélicos em relação à grande comissão deixada por Jesus, os efeitos desse comportamento ainda são mais devastadores, pois as consequências passam a ter efeito eterno. Quando deixamos de anunciar as boas novas da salvação, condenamos indiretamente as pessoas ao fogo eterno. O próprio Filho de Deus, numa parábola no evangelho de Lucas, capítulo 16, versículo 8 destacou a diferença entre a agilidade dos filhos das trevas e a lentidão dos filhos da luz. Boa parte dos cristãos tem gasto tempo, dinheiro e esforço na igreja em coisas que não são prioritárias para o Reino de Deus e negligenciam àquilo que é urgente.

Vimos o quanto essa realidade é destrutiva na família, na sociedade e na igreja, o que claramente está evidenciado de maneira cruel no mundo em que vivemos, dominado cada vez mais pela violência, injustiça, insensibilidade, discriminação e miséria. E o que estamos fazendo para mudar essa realidade? Muitos podem responder: orando. Longe de mim desconsiderar o poder da oração, mas, como a própria grafia da palavra diz: oração é orar (falar) e ação (agir). Devemos sair da zona de conforto e nos tornarmos mais efetivos e menos demagogos. Precisamos agir e não esperar que Deus faça a nossa parte, sempre com a compreensão de que a omissão também é pecado.

Revisada e atualizada em 13 de fevereiro de 2017

Um comentário:

  1. verdade, hoje estamos cada dia pior, estamos vendo o mal, e não fazemos nada isso nos tornam mal, nos afastando de Deus.

    João Ferreira Pinto
    joopping@msn.com

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